Degradar-se é se permitir roubar, sem precisar.
Degradar-se é viver abaixo da dignidade, quando se pode viver acima dela.
Degradar-se é usar de vantagem, quando se tem condições de competir em igualdade.
Degradar-se é sucumbir aos determinismos da pobreza, quando se há esclarecimento de como sair da mesma.
Degradar-se é permitir a corrupção, sem dela precisar para se viver bem.
Degradar-se é concordar com uma idéia, que vai gerar preconceito e ultraje, só porque a maioria concorda.
Degradar-se é viver na comodidade da sua vida, quando outras estão sendo ceivadas pelo privilégio e beneficiamento ilícito.
Degradar-se é sorrir de uma piada que desgraça o valor humano mesmo que isso pareça ser inocente.
Degradar-se é quando se fica triste com os cabelos encaracolados de nossos filhos, ao nascer.
Degradar-se é orgulhar-se da investida esperta de seu filho em uma situação qualquer na qual outro se prejudique
Degradar-se é estarmos felizes por que temos um pouco mais e consentimos com o muito de poucos, quando a maioria pode ter mais.
Degradar-se é o orgulhar-se do proveito de nossos acordos, casamentos erguidos no interesse do dinheiro, da cor e da ordem cultural imposta pela mídia e pela hegemonia do poder econômico.
Degradar-se é aceitar que poucos coloquem milhões em guerra, por interesses, supostamente, legítimos.
Degradar-se é permitir que idosos morram à espera de atendimento nos diversos postos de saúde, pelo brasil afora.
Degradar-se é ver tanta riqueza e tão pouca fartura para todos
Degradar-se é ver um Deus individual, que visa apenas o sucesso pessoal construído por cabeças astutas.
Degradar-se é amortecer-se diante de tanta injustiça, privilégios, corrupção, clientelismos, metamorfoseados pela batida nas costas, pelo bom discurso e pelo paternalismo camuflado.
Nunca estivemos tão perto do inferno e do céu. Nunca vimos tanto desenvolvimento e tanta miséria juntos. Nunca se julgou tão necessário mudarmos de atitude como permanecermos na mesma. Nunca foi tão desnecessário fazer uma guerra, como se é fácil fazê-la. A vida é tão curta aos homens, mas insistimos em abreviá-la matando nossos pares com fome, corrupção, desprezo e ganância. A vida é tão curta, que nos rendemos ao egoísmo, inveja, ciúme doentio e ardis. Queremos tudo, de todos, ao mesmo tempo. Distorcemos o ideal de felicidade., como se existisse só um. Idolatramos valores que submetem o homem à animalidade, sem ofensas às outras espécies que possuem sua própria lógica de existência. Mas na expansão do universo, expandimos também, sem perceber o sentido disso, pois acabamos em guerra,. fome,interesse,poder e desolação.
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